Os cinco anos da ‘nova’ OSP

Os cinco anos da ‘nova’ OSP

O ano de 2019 marca os cinco anos de reestruturação da Orquestra Sinfônica de Piracicaba e precisamos dividir esta agradável ocasião com os nossos espectadores.

Lembro-me do convite do músico piracicabano André Micheletti, para que juntos conduzíssemos esse projeto. Ele e sua esposa, a também instrumentista Mayumi, estavam empenhados em dar "nova vida à OSP", que mesmo com uma história de mais de 100 anos só promovia concertos esporádicos.

A partir do contato com a secretária da Ação Cultural e Turismo, Rosângela Camolese, expusemos a importância de a cidade ter concertos regulares e a necessidade de maior subvenção pública. Com muito empenho, e a aprovação da Câmara de Vereadores, estava dado o primeiro passo.

Seria irresponsável da nossa parte que o custeio da Orquestra ficasse exclusivo ao poder público e, por isso, levamos o projeto à iniciativa privada. Às empresas que acreditaram em nossa proposta desde 2015, nossa eterna gratidão, das quais destaco Caterpillar, Comgás, Hyundai e Oji Papéis Especiais, que nos acompanham na Temporada 2019. Com a nova OSP, Prefeitura e empresas, juntas, dão exemplo a outras cidades do interior, de valorização da cultura em benefício de seus cidadãos.

Outro importante passo foi o de aprimorar o corpo técnico da OSP, leia-se, os músicos. Abrimos um bem-sucedido processo seletivo na época, que atraiu 320 candidatos, de seis estados brasileiros.

As apresentações, sempre com casa lotada, ganharam grande repercussão nas cidades da região e até mesmo na imprensa nacional. Depois, a qualidade do trabalho executado ganhou maior proporção, o que garantiu à OSP sucessivos convites para apresentações no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, o mais importante da América Latina, e na Sala São Paulo, na capital paulista, algo que se repetirá nesta temporada.

Como orquestra, o nosso desejo era estar ainda mais próximos da população e, depois de frutífero diálogo com a secretária de Educação, Angela Jorge Corrêa, criamos os projetos sociais Música nas Escolas, ABC do Dó, Ré, Mi e Pequena Grande Orquestra.

Com a preocupação de atender as expectativas do público, o ano de 2019 será de novidades, com a distribuição de ingressos pela internet. Para o concerto de estreia, a procura foi tão grande que o Teatro Dr. Losso Netto estava com todas as cadeiras reservadas pelo sistema Mega Bilheteria, em 30 minutos. Também dobramos as vagas do projeto social Pequena Grande Orquestra, que agora leva o ensino de violino a 72 crianças de escolas no Mário Dedini e Jardim São Paulo.

Muito nos empolga a transferência dos concertos para o Teatro Dr. Losso Netto. Com seu palco maior, novo fosso de orquestra e maior capacidade de público, abrem-se expectativas quanto a diversificação da programação, quem sabe fazendo a primeira produção de ópera da OSP.

Uma orquestra atenta aos novos tempos só faz sentido se estiver presente na vida da comunidade e os números conquistados até aqui nos dão imensa alegria: de abril de 2015, data do primeiro concerto pós-reestruturação, a janeiro deste ano, a estimativa é que a OSP tenha atraído pelo menos 70 mil pessoas nos concertos mensais gratuitos. A esse número, somamos 21 mil crianças nos projetos didáticos.

O projeto de reestruturação da OSP é um presente para mim, depois de mais de 30 anos no Theatro Municipal de São Paulo, regendo uma grande quantidade de concertos, óperas e balés. É o momento em que retorno à minha cidade para dividir toda a experiência acumulada.  A OSP quer que Piracicaba e região tenha a oportunidade de ter sua vida musical ainda mais enriquecida.

Jamil Maluf, diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de Piracicaba